Este projecto surge numa formação em Fotografia de Exterior e é fruto do cruzamento entre um diário visual e uma visita à Mata Nacional do choupal.

Na primeira sessão do módulo “Processos Criativos nas Artes Visuais”, surge o desafio de criar um diário onde fosse registando tudo o que me marcava nas horas extra formação; Comecei por construir um caderno de raiz, com os materiais que tinha disponíveis em casa, através da técnica de costura copta. Depois fui desenhando, colando, anotando (…)

Numa das sessões finais tinha o exercício de fotografar o choupal em 10 pontos estipulados pelo formador, que seriam revelados durante o percurso. Assim que cheguei ao local, o espaço não me transmitia nada, estava habituado a fotografar arquitectura, elementos geométricos. Não árvores, não a natureza. A forma que encontrei para me tentar relacionar com o espaço foi, ainda na entrada da mata, não saindo do mesmo sítio, girando em torno de mim mesmo, tirar o máximo de fotografias possível. Depois, fixado no LCD da câmara fotográfica, apaguei todas as imagens que havia captado. Não gostava de nenhuma. Levanto a cabeça e estava sozinho, o grupo tinha avançado para o primeiro ponto obrigatório, e eu, perdido. Ao rencontrar o resto do grupo no primeiro ponto obrigatório, vislumbro ao fundo de um lago uma ponte em betão, de linhas direitas, com um eixo de simetria bastante marcado. O que me fez perceber que no meio de todas aquelas linhas orgânicas, poderia encontrar a geometria que visualmente me agradava. Decidi então que nos dez pontos obrigatórios iria procurar dez imagens com um eixo horizontal bem definido, que traçaria uma linha horizontal do inicio ao fim, representando o percurso do qual me havia perdido.

No trabalho final, era pedida uma intervenção digital nas imagens, de forma a imprimir lhes uma nova linguagem. Recorri ao desenho (realçando as simetrias existentes, criando-as onde eram menos evidentes) com base nos diversos registos que fui fazendo no diário já prestes a rebentar pela costura que não se desfazia por um fio. O fio condutor que era aquela linha horizontal, que simboliza o percurso do qual me perdi, mas que assim reconstruí:

sinédoque

si.né.do.que - siˈnɛduk(ə)

Recurso expressivo que se baseia numa relação de compreensão em que se designa o todo pela parte ou a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural, etc. (ex.: o homem por a espécie humana)

Do grego synekdokhé, «compreensão de várias coisas ao mesmo tempo», pelo latim synecdŏche-, «idem»